Semelhantes, Mas Diferentes

(Por Leny Mell)


Olho bem o cartaz a minha frente enquanto saboreio um café, sentada numa cafeteria de um shopping. No cartaz está a figura de um rapaz, e ao seu lado um chimpanzé com a seguinte frase: Semelhantes, mas diferentes. E logo abaixo escrito: Cientistas descobrem que 96% do genoma humano é igual ao dos chimpanzés. Fico ali parada e me vem uma pergunta antiga que eu me fazia e nunca obtendo uma resposta certeira, acaba no esquecimento. Quem somos nós? De onde viemos? Pra onde vamos? E uma outra pergunta começa a povoar minha cabeça. Será que somos descendentes dos chimpanzés? Afinal tantas semelhanças assim com o mamífero da ordem dos primatas com exceção do homem, será? Comecei então as comparar as semelhanças: Os chimpanzés passam muito tempo socializando. Usam linguagem e expressões faciais, são onívoros, andam ereto e os olhos de ambos podem ver em cores. E quando mais jovens brincam entre si, correndo atrás um do outro, e lembrei o quanto fazia isso na adolescência e até subia em árvores pulando de galho em galho e aprontando muitas macaquices, Ops! Quis dizer muitas peraltices. Confesso que ainda rio baixinho, e deixo bem claro que não tenho nada contra os chimpanzés, só estou à procura de respostas. Respostas que levou uma tarde toda para chegar e sempre acompanhada de um café e de muitas dúvidas. Mas ter a certeza que somos descendentes dos chimpanzés, me levou a concluir que não somos descendentes de Adão e Eva, que a bíblia é uma farsa e que sou uma ateísta. Que estou à deriva, num barco entregue à própria sorte, sem ninguém para me olhar ou me proteger. Fiquei triste e os meus olhos se encheram de lágrimas. E entre um café e outro, de súbito veio uma força maior, que me acalmou e me faz acreditar sempre. Não estou só, eu sinto a presença de Deus, que direciona o meu barco e acalma as águas turbulentas. É a mão que te navega em um mar nebuloso, é a mão estendida quando se cai no convés da vida, ferida. É a mão que vem me pescar, a que joga a rede ao mar, quando perco as forças para nadar, aquecendo a hipotermia dessa vida que quase se finda no fundo do mar. E que me ama, me chama de filha e não me ilha. Sim, eu acredito em Deus e nessa força que me levou a escrever essa crônica. Mas... E os chimpanzés? Bem, são nossos parentes mais próximos, que Deus nos deu.

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