Catador de pensamentos


                                             
                                                    Imagem do meu arquivo pessoal
                                             
 Alguns dias atrás lia uma postagem no blog


Cujo título era “Para ser Poeta”
V.B Mello em seu passeio poético afirmava que “o medo é um privilégio que o poeta não pode ter e que tudo que é original nasce do nada”.
Ainda, se o anseio de escrever não for inspiração suficiente, jamais haverá inspiração para ele...
Em certo ponto ele digitou: “tudo é inspiração para quem tem a alma livre”

E fiquei imaginando quais foram os sintomas da primeira gestação de uma escrita, o sentimento na hora do parto e pós-parto de um Ferreira Gullar, uma Clarice Lispector...
Quão doce deve ter sido o do Manuel de Barros, da Cora Coralina...
Que olhar, emoção, sentimento levaram amigos do Tubo, como a Dulce Morais, Isa Lisboa, Carlos Moraes, Manuel Marques, entre outros, a registrar fragmentos de seu ser ou de seu imaginário?
E quantos Gullar, Lispector, Morais, Lisboa  nem bem nasceram e morreram por falta de cuidados (elogio, incentivo...)!
 Aos dez anos, sem mais nem menos, escrevi um pequeno conto sobre coelhinhos, ilustrei e tudo mais. Se essa história foi criada do nada realmente não me lembro, mas segundo os Rosacruzes “o nada não pode dar origem a alguma coisa”, bem... não me recordo, isso foi há quarenta anos. O que  lembro  é da sensação de bem estar que senti quando acabei de escrever. Corri para mostrar aos meus pais. Meu pai só ficou encantado pelo desenho, talvez pelo fato que desenhasse bem e ter ficado orgulhoso de eu ter herdado esse lado dele. Minha mãe, presumo, deve ter olhado assim, como se estivesse em sala de aula, mas preocupada se havia erro ortográfico. Pois bem, acabava de morrer ali, quem sabe, a escritora Claudiane.
Quando o Ricardo (meu primogênito) estava em idade escolar e a professora pedia alguma produção textual, como eu valorizava cada linha escrita dele.
Veio o Sylvio e, ainda pequeno, se não falha a memória sete anos, escreveu assim em uma produção poética sobre a escola: “a escola é um cocô, matou um e se orgulhou”. Entrei em êxtase!... Quanta verdade continha àqueles versos.  O pai queria que ele suprimisse aqueles versos do poema, eu contra argumentei... E o Sylvio criou asas.
E as asas dele levaram-me, anos mais tarde, ao renascimento das minhas, que haviam sido podadas pelo conto.
Foi pensando em divulgar seus poemas que me inscrevi no Tubo de Ensaio Laboratórios de Artes. Mas quando fui aceita, mesmo sem ter mandado nenhum poema (o que ela tinha de concreto para me conhecer? Um blog onde colocava minhas ideias e trabalhos com Contação de histórias e Artes) surgiu à necessidade interna de agradecê-la por tamanha confiança.
E foi assim, com a alma já em liberdade, que rascunhei meu primeiro poema que tomo a liberdade de inserir aqui nesta crônica:

Eu sou diferente
rente ao divino
no limiar da invencibilidade
vou prosseguindo...

Você aí também é diferente? 
Então, corra
patente, urgente!
  
Sim eu sou diferente, vou prosseguindo... Você também não é?
Tanto assim que hoje estou aqui rascunhando minhas primeiras crônicas. Mas não estou só.
O relevante é perceber que não estamos sós, o nada não existe porque cada um de nós traz dentro de si os livros lidos, as viagens, os sentires.
Digo mais, o medo é um privilégio que ninguém, quer seja escritor de contos, crônicas, livros, prosas poéticas... Pode ter.

Claudiane Ferreira

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