SONHOS DE MENINO

 SONHOS DE MENINO
(Crônica – Maristela Ormond)

imgem da web-meninoderua

               Esse menino era magro, com as costelas aparecendo. Seu calção curto demais, porque não havia outro e como todo menino, cresceu, portanto suas roupas ficaram diminutas.
               No frio ou no calor, independente da temperatura, as roupas eram as mesmas, e quando as golas das camisetas alargavam demais a mãe sempre dava um jeitinho de colocar uma prega ou mesmo um elástico para que cobrisse o peito. Mãe é assim mesmo, sempre preocupada se a criança pode adoecer...
               Esse menino gostava de fazer os seus brinquedos. Logo imaginava um brinquedo com o galho de uma árvore, um pedacinho de pau, um resto de osso de galinha ou até mesmo um resto de osso de mocotó de boi, daqueles que mãe faz porque é barato e tem bastante sustância.
               Um dia esse menino, fez um belo cinturão, cheio de pregas para acomodar suas armas, pois a brincadeira agora seria de policial.
               Suas armas eram de restos de madeira, que cruzava umas as outras, dando feições de um revólver, um pedaço de madeira maior, poderia ser um cassetete, daqueles de borracha usado pela polícia. E lá ia ele feliz em suas brincadeiras prendendo os supostos ladrões que porventura quisessem fazer um mal feito.
               Para o menino isso tudo lhe parecia uma honra por não deixar com que pessoas de má índole fizessem mal a sociedade.
               Sempre dizia a mãe que um dia seria um policial, ao que ela respondia que seria preciso estudar e ter a consciência de ser sempre o melhor, porque na vida seja você quem for, deve sempre fazer bem aquilo que você gosta, não importando o que tenha decidido para você.
               Esse menino estudou, fez tudo que a mãe falou. Procurou fazer o melhor, arrumou um emprego e trabalhou.
               Hoje o que diríamos é que o trabalho infantil não deve ser permitido, mas o menino trabalhou como sabemos que tantos outros trabalham para ganhar alguma coisa que os valha.
               O menino cresceu, prestou um concurso e se tornou um verdadeiro policial.
               Era um menino magro, com as costelas aparecendo... Hoje um homem forte, consciente de seus deveres, ouviu o que disse a mãe, ouviu o que disse a si mesmo, trabalhou e ainda trabalha, tem orgulho do que faz e orgulha-se de ter vencido. Grande pequeno menino magro, grande homem de grandes sonhos!



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