A ARTE E O ESTADO


Kazimir Malevich: Quadrado negro sobre fundo branco, uma das obras paradigmáticas da escola abstrata 


      A Arte, em todas as suas manifestações, nunca cessou de acontecer em todas as épocas, independentemente das condições sócio-econômico-politicas vigentes. No entanto, lançando um olhar para o passado da civilização, vemos que ela floresceu com exuberância sempre que estava sob a proteção de governantes cultos, polidos e conhecedores do mundo e que consideravam o fomento da cultura uma parte tão importante de suas funções como o zelo pelos interesses do governo. Não raros, eles eram também artistas. Assim, tratando-se da Arte, parece-me fundamental o apoio de verdadeiros patronos, isto é, daqueles que têm, por assim dizer, a arte no sangue, sem o que, teremos apenas programas políticos que visarão atender – de maneira insuficiente e inadequada – os interesses de uma classe que nem sempre é formada por verdadeiros artistas, isto é, que se alimentam não da venda de suas obras, mas da própria obra.
      O que a Arte precisa é de um Governo que seja, também, um patrono e, se não for de todo impossível, também um artista – se os há.
     Contrariamente ao que possa parecer, o artista não necessita em primeiro lugar, de um mercado para comercializar suas obras. O que o artista necessita, primeiramente, é de não ser encarado como um preguiçoso e excêntrico, num mundo que é ganancioso e vulgar. A arte não deve alimentar somente o bolso do artista, mas, também, o seu ego, promovendo sua autoestima. O homem carece mais de consideração do que de dinheiro para ser feliz.
     Resumindo: o governante deve ser no que diz respeito à Arte, um patrono e se não for de todo impossível, também um artista.
   Mas, se nada disso for possível, por favor, deixe os Artistas em paz!

EP. Gheramer




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