COMO NÃO TE AMAR?! (Um parágrafo para a minha esposa)

Eu sou tão desatento que não pude notar essa forma sublime de sentir, de amar. 
       Incomoda-me essa mania da Lena, de mexer a minha roupa e vasculhar os meus bolsos! Aliás, incomodava-me!

Meu nome é Marcos André, para quem se importa. Vivo bem, sem muitas reclamações. 
Hoje acordei acidentalmente pela madrugada. Incomoda-me essa mania da Lena, de mexer em todas minhas “cenas”! Lá estava ela de novo. Abri os olhos e parei um pouco para ver: abriu a minha pasta, arrancou a carteira e ficou a contar as moedas. Eu lá bem no fundo “poxa, interesseira!”. Na verdade eu estava “off”, sem grana. Fechei os olhos e entreguei-me de novo ao sono.
Mais uma manhã, acordei eu em rajada e pus-me a correr contra o tempo à Faculdade. Era suposto eu comprar um hamburguer na hora do intervalo, mas quando abri a carteira tinha lá dinheiro suficiente para pagar um prato bem recheado. Paguei e comi!
No caminho de volta à casa refiz as minhas contas e estava tudo errado! Lembrei-me de tantos, de vários episódios e era suposto eu estar “teso” mas por um milagre desenvoltei-me. Que sorte!?
Eu sou ateu por escolha e circunstância, e então não poderia acreditar em sorte. Tinha que achar um motivo. Seria sorte demais! Eu tinha que perguntar para ter resposta intelegível. E perguntei com humildade. Afinal de contas Lena revistava-me todas as noites, sabia quando eu tinha ou não dinheiro e colocava na carteira o suficiente para ser necessário. 
Fui desatento!
        Sou grato, não pelo dinheiro mas por essa forma desmedida de cuidar.
        Como não te amar?!

Marcos André

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