AS MENINAS

Era Sexta-feira, tal como sempre, bem vestido com um sorriso de praxe. Os pés que descem pela praia da Ponta Negra, marcham sussurros: "O moreninho só pode ser baiano...Ai! Neguinho!". E a moça ajusta a saia à meia haste, lança o cabelo pela torta e depois pela direita e avança. Senti-me quase agredido. O olhar era daqueles que mira e parece Deus a arrancar-te confissões. Continuei no meu pausar sem rumo,  passeando os caprichos da minha cadela Jessy, respirei-me a mim mesmo: a camisa de Jeans ainda cheirava a Rum com gelo e tabaco fresco. Uma voz me alcança e uma mão me apela, descuidada: "Oooooi! Você é baiano?". Olhei para a fita do Senhor do Bonfim enrolada no meu pulso, de duas voltas e três nós e disse para mim: "Vou fazer pedido nenhum!".
   
Respondi à alguns segundos de perguntas com o meu sotaque oblíquo de português. A moça virou com a euforia entrelaçada nos olhos e com as mãos que não encontravam margem para pousar no próprio corpo e disse "Odeeeeth!  O cara é gringo, você acredita?... É preto de África mesmo!".
Eu não gosto de ver quando se beijam,  ao menos que beijem a mim. Entenderam, não é?!
E a companhia que se predispunha a me levar até ao ponto de ónibus,  sem se dar conta levou-me para casa,  para a Rua das Magnólias.
Foi depois de tantos e entretantos que me iluminaram os meus orixás e tive a ousadia de perguntar "Afinal, qual é o seu nome?".
                                                        CONTINUA... 
                                              Por  Marcos André 

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