A máfia italiana

Marcho ainda tonto pelos corredores do hotel "Antiche Figure",  pronto para reinvindicar o meu capuccino e brioche, tropeço com duas metades da mesma carta,  assinada por Giovanna,  aos 7 dias do mês de Agosto de 2015 (Veneza) -  a primeira dizia o seguinte:
        Bate o meu coração a aleijar o parapeito da varanda,  abrindo uma vista espectacular que me leva à "Piazza di San Marco".
       Pela casa caminham pegadas molhadas e o cinzeiro a tentar apagar a última beata de cigarro,  me diz que o seu corpo nú passou por aqui não distante desta madrugada.
       Não fuja, Vincenzo! Não leve toda a culpa consigo!  Eu menti também.
     Pela "Basilica di San Marco" busco a misericórdia do Pai,  pela fé de Jorge Mario Bergoglio -  que nos perdoe Deus por tudo quanto nos prometemos quando corpo a corpo nos agrediamos  até não sobrar inércia para pedir trégua!
     Não esqueça da ponte de esparguete que construímos com as nossas bocas,  quando me atrevi a beijar-te.  Ainda me sabe bem a pasta com cogumelos e molho pesto.  Beijar-te-ia de novo -  lábios refrescados com Martini.
     Sei que deves estar com a consciência a pesar o suficiente para afundar o vaporetto no qual deves estar agora,  sem norte,  pelos canais de "Venezia",  mas saiba que eu também menti ao fingir render-me a poesia do seu italiano sem retórica:
                 "Sei tutto cio 'di cui ho bisogno. 
                   Tu sei il sole mio giorno. "
      Foi tudo um mal entendido!

Marcos André


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